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no 2 - 2001
Segunda-feira, 9 de abril de 2001.
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ESCOLHA O SEU LINUX

POR MARIA ISABEL MOREIRA (Info Exame)

Aderir ao Linux é fácil: é um sistema operacional sólido, aberto, flexível e gratuito. Escolher a distribuição é outra história, muito mais complicada. Há uma enorme variedade de pingüins por aí, cada uma com uma plumagem. Existe pelo menos uma centena de empresas, grupos ou pessoas que juntaram um kernel, ferramentas GNU, programas de instalação, aplicativos e, em muitos casos, ambiente desktop para criar suas próprias versões do Linux. O aspecto positivo dessa prática é a possibilidade que companhias ou usuários têm de encontrar o sistema operacional mais adequado a seu perfil e a suas necessidades ou exigências de processamento. O lado negativo? Escolher entre mais de 100 opções não é moleza. Mas INFO fez o trabalho suado por vocês.

A melhor estratégia é concentrar a atenção nas distribuições mais populares. O INFOLAB avaliou dez dessas distribuições. O alvo dos testes foram as versões que podem ser adquiridas via download, e não os pacotes comerciais. Cinco dessas distribuições apresentam recursos que as qualificam para a tarefa de servidor. São o Conectiva Linux Servidor 5.1, da Conectiva; o TurboLinux 6.0, da TurboLinux; o OpenLinux 2.3, da Caldera; o Debian GNU/Linux 2.2, da Debian; e o Slackware 7.1, da Slackware. Outros cinco produtos são mais adequados ao ambiente desktop. Essa relação inclui o SuSE Linux 7.0, da SuSE; o Conectiva Linux 5.0, da Conectiva; o Red Hat Linux 6.2, da Red Hat; o Corel Linux 1.2, da Corel; e o Linux Mandrake 7.1, da MandrakeSoft. No primeiro grupo, o Debian GNU/Linux 2.2 mereceu a escolha de INFO por apresentar o conjunto de recursos mais adequado para as empresas interessadas em montar um servidor seguro e eficiente. No grupo das distribuições para estações, os destaques foram o Conectiva Linux 5.0 e o SuSE Linux 7.0. O primeiro porque traz um bom instalador e está traduzido para o português. Entre outros atrativos, a distribuição da SuSE oferece a comodidade da centralização das configurações num único programa. A versão avaliada estava em inglês.

ATENÇÃO AO SERVIDOR

Segundo o IDC, o Linux foi o segundo ambiente operacional servidor com o maior número de novas cópias instaladas em 1999, atrás apenas do Windows NT. O instituto de pesquisa estima que a quantidade de instalações Linux vai continuar crescendo a uma taxa anual de 28%. Por trás desse crescimento está a crença das empresas de que estão investindo numa solução que é, ao mesmo tempo, econômica, aberta e confiável. Mais: oferece alta disponibilidade e desempenho.

A distribuição que mais se enquadra nessa definição do Linux é a Debian GNU/Linux 2.2, da Debian. No quesito segurança, por exemplo, ela é imbatível. Ao contrário de outras opções de Linux, a Debian não permite que o administrador, inadvertidamente, deixe pontos do servidor vulneráveis a invasões. O Debian exige, por exemplo, que o administrador configure manualmente a abertura das portas 23 e 110, enquanto outras distribuições deixam essas portas abertas, independentemente do fato de estar sendo criado um servidor de Internet ou não, expondo o servidor a riscos desnecessários.

O preço desse cautela e do total controle da instalação é a obrigatoriedade do trabalho com uma interface nada amigável. Para mexer com o Debian é necessário ter um conhecimento profundo do Linux. Caso contrário, nada feito. Quer um exemplo? Como a distribuição da Red Hat, o Debian apresenta um gerenciador de pacotes. Mas, ao contrário do RPM da Red Hat, que permite gerenciar dependências e versões, o sistema da Debian exige que os usuários conheçam, de antemão, os pacotes que devem ser instalados.

O Slackware 7.1 não fica atrás do Debian quando o tema é instalação e configuração. Sem o recurso de gerenciamento de pacotes, exige que a instalação seja feita na raça. Ou seja, quem se dispõe a usar o Slackware precisa instalar todas as bibliotecas e, seguindo as instruções, compilar e configurar os aplicativos. Até bem pouco tempo, o gerenciador de janelas dessa distribuição era o FVWM, configurado apenas com a edição de arquivos. Somente nas últimas versões do Slackware as interfaces Gnome, KDE e Window Maker se fizeram presentes.

Como o Debian, o Slackware não oferece nenhum programa para a configuração do ambiente. A detecção automática de hardware também é apenas parcial, enquanto no Conectiva Linux Servidor, no TurboLinux e no OpenLinux o recurso é completo. Além dessas falhas, o Slackware é uma das distribuições mais problemáticas no aspecto da segurança. Seus mecanismos de proteção de arquivos de password, por exemplo, já estão bastante ultrapassados. Para empresas que desejam montar servidores em máquinas com poucos recursos, no entanto, o Slackware é uma boa opção. Como é uma distribuição muito antiga e bastante fiel ao Unix, é menos exigente quanto à configuração do hardware.

A instalação em modo texto e a necessidade de configuração manual em algumas situações também não credenciam o TurboLinux a disputar espaço no mercado de desktop. O OpenLinux, por sua vez, se sai melhor no processo de instalação com a oferta de uma interface mais amigável. Seu principal atrativo, no entanto, são os recursos de administração avançados, oferecidos por meio do COAS (Caldera OpenAdministration System). Os módulos COAS têm papel semelhante ao Linuxconf, encontrado no Red Hat e em outras distribuições, executando trabalhos como gerenciamento de contas de usuários, configuração de impressora, setup e manutenção das configurações de rede, entre outros.

O Conectiva Linux Servidor 5.1 perde pontos porque sua rotina de instalação atende mais às necessidades de uma versão desktop. O programa de instalação, por sinal, é o mesmo para as versões Conectiva Linux 5.0 e Conectiva Linux Servidor 5.1. Como conseqüência, há omissões importantes e passos descabidos. Solicitar uma definição sobre o compartilhamento do disco rígido com o Windows não faz sentido na montagem de um ambiente servidor. Por outro lado, atrapalhar-se quando o computador tem mais de um disco rígido e não sugerir que alguns pontos de montagem sejam especificados em partições separadas são faltas inexplicáveis. Um dos grandes benefícios da distribuição da Conectiva é manter as rotinas de configuração centralizadas e em modo gráfico. E, além disso, em português.

EM CIMA DA MESA

No segmento desktop, a presença do Linux ainda é reduzidíssima. Apesar de todos os esforços da comunidade em tornar o ambiente mais gráfico e amigável, nem de longe a supremacia do Windows foi arranhada. Dados da WebSnapshot.com do dia 21 de setembro apontavam que 80,5% dos acessos à Internet eram realizados por máquinas comandadas pelo Windows 98 e o Windows 95. Se somarmos a esse total os números do Windows 2000 e do NT, a participação da Microsoft sobe para 95%. Linux? Apenas 0,3%.

Esses números não significam que a presença do Linux nesse mercado não esteja crescendo. Graças a distribuições como a SuSE Linux 7.0, dia a dia o sistema operacional do pingüim ganha espaço nas mesas de trabalho. O que o SuSE tem de tão interessante? Para começar, integra a instalação de aplicativos à instalação do sistema. O programa yast, agora em versão gráfica, assume desde as tarefas mais simples, como a criação de usuários, até as configurações de rede.

Já o Conectiva Linux 5.0 tem uma qualidade inigualável: programas e documentação em português. Como essa característica, por si só, não é suficiente, a Conectiva tratou de dotar sua distribuição de outros atrativos. Um deles é o programa de instalação, capaz de tornar bem menos árduo o trabalho para aqueles que se atrapalham com as linhas de comando. A distribuição da Conectiva é baseada na Red Hat. Mas no processo de tradução a empresa tornou alguns pacotes incompatíveis com o sistema RPM criado por essa empresa. Como resultado, ao instalar um produto criado para a Red Hat tanto o usuário do Conectiva Linux 5.0 quanto da versão servidor podem verificar problemas com as versões de bibliotecas.

Por falar em Red Hat, sua distribuição é, com certeza, a mais popular. Para os desenvolvedores de programas que não pertencem, originalmente, ao mundo Linux, é também a principal referência. Mas, apesar do seu pioneirismo em tornar o sistema operacional mais amigável, a Red Hat foi superada nesse quesito por outras distribuições. Nota: depois que o INFOLAB concluiu o teste com o Red Hat Linux 6.2, a empresa anunciou a versão 7.0. Uma das novidades dessa versão é o utilitário apt-get, dedicado à verificação e atualização automática de RPM. A integração do mesmo recurso, por sinal, foi anunciada pela Conectiva.

Um dos destaques do Red Hat Linux 6.2 é a facilidade de configuração por meio de menus, muito louvável para uso em estações. Mas, para garantir essa comodidade, a manipulação de arquivos de configuração fica extremamente prejudicada. Por esse e por outros motivos, o produto não figura no teste entre as soluções para servidor.

Quem quer se aventurar em Linux, mas não abre mão das conquistas obtidas no campo da facilidade de uso, deve optar pelo Corel Linux ou pelo Mandrake. No caso do programa da Corel, a instalação é tão simples e automática quanto a do Windows. Seu gerenciador de arquivos também difere muito pouco do Windows Explorer. O Linux Mandrake 7.1 não foi feito à imagem e semelhança do sistema operacional da Microsoft, mas tem uma interface igualmente bem-cuidada. É a única opção de Linux que oferece suporte direto a periféricos USB. Ótimo, não é mesmo? Mas há um probleminha. Para apresentar esse recurso - que só vai estar disponível no kernel 2.4 -, a MandrakeSoft sacrificou a compatibilidade da sua solução com outras distribuições.


Observação: Há muitas opiniões relatadas no artigo acima que são refutadas por muitos usuários. Por exemplo, o Slackware, embora distribua seus arquivos em formato tar.gz, possui uma ferramenta de controle de instalações ao contrário do que afirma a autora. Quando se fala em servidor, não se pode pensar que ele será configurado por um usuário comum e sim por um administrador de sistema. Pode-se pressupor, portanto, que tal administrador saberá quais facilidades podem confiavelmente ser configuradas através de menus e quais não. Um bom administrador fará qualquer servidor trabalhar muito bem em praticamente qualquer distribuição. Portanto, os Red Hats, Debian, Slackware, Conectiva, Turbo Linux, Open Linux, FreeBSD, são todos muito bons como servidores. (Mauricio Kaster)


DICAS: GERENCIADOR DE PACOTES RPM

Até pouco tempo atrás, todo novo software que desejássemos instalar em nosso sistema Linux necessitava ser compilado e depois instalado. Esse é o tipo de coisa que causa arrepios em muita gente, principalmente nos mais novatos. Felizmente, hoje dispomos de um sistema de pacotes que facilita enormemente a tarefa de instalar e remover programas. O sistema Red-Hat Package Manager (RPM) é utilizado nas distribuições Red Hat, Debian, Mandrake, Suse e Conectiva. Dentro do pacote todos os arquivos encontram-se já compilados e com todas as informações necessárias à sua instalação, como a localização dos arquivos, versão e dependências. As dependências são outros arquivos e pacotes que devem estar instalados previamente para que o programa que está sendo instalado funcione (Imagine instalar um programa que necessita da GLIBC e essa nem sequer está instalada! Nesse caso, deve-se instalar a GLIBC primeiro e depois instalar o programa em questão).

Os ambientes gráficos KDE e GNOME já possuem versões do gerenciador de pacotes com interface gráfica (Kpackage e GnoRPM). Caso não se disponha da interface gráfica, ainda dispomos do gerenciador de pacotes em modo texto, cujos comandos descrevemos a seguir.

Uma vez dentro do diretório onde se encontra o pacote RPM, podemos digitar:

rpm -qip nome-do-pacote

Mostra a informação a respeito de um pacote NÃO INSTALADO que esteja no CDROM de instalação ou baixado da internet. Muitas vezes, encontramos uma lista de pacotes em algum CD e não sabemos a finalidade desses pacotes. O comando acima nos auxilia pois nos fornece as informações a respeito do pacote. Obs. a opção p é muito importante.

rpm -qlp nome-do-pacote

Mostra os arquivos contidos no pacote. A opção p é usada para informar que se trata de um pacote não instalado.

rpm -ivh nome-do-pacote

realiza a instalação de um pacote. As opções vh são opcionais e podem ser suprimidas, entretanto, deixam a visualização do processo mais pobre e não realiza verificações.

rpm -Uvh nome-do-pacote

Realiza a atualização de um pacote por uma versão mais nova. Caso o pacote não esteja instalado, realiza simplesmente a instalação.

Para pacotes já instalados:

rpm -qi nome-do-pacote

Mostra as informações de um pacote já instalado.

rpm -ql nome-do-pacote

Mostra todos os arquivos contidos no pacote.

rpm -e nome-do-pacote

Remove o pacote instalado. Um pacote só pode ser desinstalado se não for base para outros. Se isso ocorrer, todos os pacotes que dele dependerem devem ser removidos primeiro.

Com esses comandos já somos capazes de verificar as informações e conteúdos de qualquer pacote (instalado ou não) e realizar a instalação e desinstalação de pacotes.


Mauricio Kaster
Coordenador do GU LinuxPonta

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