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no 3 - 2001
segunda-feira, 23 de abril de 2001.
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SOFTWARE LIVRE NA FRANÇA

O Governo francês está de olho na utilização do Linux para uso em departamentos e administrações. O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, rendeu-se às vantagens do software livre, o que parece ser uma tendência em toda a União Européia. 

O Linux têm despertado bastante interesse em diversos setores do Governo francês, segundo artigo do Le Monde.

Em um chat durante a Linux Expo, em fevereiro deste ano, o primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, mostrou-se favorável quanto à utilização dos softwares livres na administração e nos departamentos do Governo local. "Examina-se de forma notável o interesse de todos pelos softwares livres, que se caracterizam pela publicidade de seus códigos fonte e pelo seu modo cooperativo de desenvolvimento. Encaixaria perfeitamente na Administração" - afirmou Jospin, com propriedade.

O Ministro da Reforma do Estado e da Função Pública da França, Michel Sapin, tem opinião semelhante. "Além do desenvolvimento cooperativo, o software livre possui transparência de mutualidade e criação, que é tudo aquilo que defendo" - sentenciou Sapin. "As administrações públicas francesas, sejam elas estatais ou cooperativas, estão participando ativamente da ascensão dos softwares livres no país" - ressaltou o Ministro.

As declarações das autoridades francesas vão de encontro ao crescente movimento europeu contra as patentes de software, concretizado no Euro Linux. Parlamentos de várias nações européias, como o da Holanda, estão impondo severas restrições às patentes, favorecendo o uso de softwares livres e de plataformas Open Source, como o Linux.


O SISTEMA DE ARQUIVOS REISERFS

por Fábio Olivé Leite <olive@conectiva.com.br>

A partir da versão 5.1, o Conectiva Linux conta com um sistema de arquivos radicalmente diferente, o ReiserFS, que vem trazer maior desempenho e confiabilidade para servidores e estações Linux. Neste artigo serão descritas as diferenças entre o ReiserFS e o sistema de arquivos padrão do Linux, o ext2, bem como limites e características específicas do ReiserFS.

"O ReiserFS é um sistema de arquivos que utiliza uma variante orientada a objetos baseada em plugins de algoritmos clássicos de árvores balanceadas. Os resultados, quando comparados com o sistema de arquivos convencional baseado em alocação de blocos ext2fs, sobre o mesmo sistema operacional e utilizando o mesmo código de interface com os dispositivos de armazenamento sugerem que estes algoritmos são em geral mais eficientes, e estão ficando ainda mais a cada mês que passa. Falando abertamente, a cada mês nós achamos mais um gargalo de desempenho que precisa ser resolvido, consertamos, e a cada mês encontramos mais uma maneira de aumentar o desempenho geral de uso do ReiserFS."
                  -- Retirado da página principal do ReiserFS 

É com esta apresentação bombástica e otimista que nos é apresentado o sistema de arquivos ReiserFS, um sistema de arquivos completamente diferente daquilo que estamos acostumados. Ele possui uma característica especialmente interessante de confiabilidade, que é o suporte a journalling. As operações de disco são encaradas como transações atômicas, de forma que mesmo com a queda involuntária de um servidor ou estação, os dados em disco estão consistentes, e não é necessário esperar vários minutos (ou horas) pela execução de um fsck.

Mas esta não é a única vantagem. O ReiserFS é ainda mais econômico no uso do disco que outros sistemas de arquivos. Isso é estranho, quando se pensa que ele sempre aloca 30MB de espaço para o journal, mas ainda assim, pelo fato de ele não pré-alocar estaticamente um determinado número de i-nodes e mapas de bits, todos os blocos do disco estão disponíveis, mesmo para a criação de apenas um imenso arquivo. Não há perdas com reservas que podem vir a ser inúteis.

Para completar, o ReiserFS é rápido. Seu ganho de velocidade em relação a outros sistemas de arquivos varia de acordo com cada operação em disco, porém todas são algo mais rápidas, e algumas são muito mais rápidas. Não é incomum alguém utilizar o ReiserFS com milhões de arquivos no mesmo diretório, uma tarefa para a qual o ReiserFS é especialmente adaptado. Seu uso de funções hash e árvores balanceadas, ao invés de seqüências infindáveis de i-nodes torna a procura de um arquivo em uma dezena ou em uma miríade uma operação quase idêntica.

Disponibilidade
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O ReiserFS ainda não faz parte do Linux oficial, sendo distribuído como um patch a ser aplicado. O maior esforço de desenvolvimento está na versão 3.6.x, para os kernels 2.4.x, porém periodicamente ainda saem atualizações e consertos para a série 3.5.x, destinada ao Linux versão 2.2.x.

Durante muito tempo foi discutida a inclusão do ReiserFS no kernel oficial, porém o consenso parece ser que algumas das alterações que o ReiserFS faz ao kernel são muito profundas para serem incluídas neste momento. O Linux 2.4 está quase saindo, e agora não é o melhor momento para inclusão de código novo. Mas isto não depõe de forma alguma contra a estabilidade do ReiserFS, tanto que algumas distribuições já o utilizam.

Em sua versão 5.1, o Conectiva Linux permite a utilização de partições ReiserFS e até mesmo a instalação completa baseada em ReiserFS (esqueça o fsck!!!). Neste caso, apenas a partição destinada a conter os kernels (/boot) precisa ser uma partição ext2fs, ou ReiserFS com a opção notail, que desliga uma otimização deste sistema de arquivos que atrapalha o LILO. 

Utilização
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A utilização de partições ReiserFS é transparente para o usuário, bastando usar o utilitário mkreiserfs para criar este sistema de arquivos na partição desejada. O tipo do sistema de arquivos que deve ser fornecido ao mount ou colocado no /etc/fstab é reiserfs.

Um ponto importante é que este sistema de arquivos normalmente não deve ser submetido a fsck, mesmo quando o sistema trava e não pode ser desligado de forma apropriada. Na verdade, esta é uma de suas vantagens. Para respeitar isto, é importante deixar o sexto campo das linhas de sistemas ReiserFS no /etc/fstab em zero.

Partições ReiserFS também não precisam ser montadas como read-only durante a iniciação, já que esta prática se destina exatamente a permitir a execução do fsck na partição raiz.

Caso algo muito ruim aconteça com suas partições ReiserFS, você pode utilizar o programa reiserfsck, que realiza vários testes de consistência nas árvores do sistema de arquivos. Apenas cuide para ter bastante memória livre na hora de executá-lo, pois ele pode precisar. Ao iniciar seu sistema com um disco de recuperação, lembre-se de ativar suas partições de swap.

Limites
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Em sua versão 3.5.x, o ReiserFS suporta arquivos de até 2GB (2^31), assim como qualquer outro sistema de arquivos para o Linux 2.2.x que esteja atualizado (o minix, por exemplo, não pode). Existe um patch para o Linux 2.2.x (LFS) que permite que este acesse arquivos de até 64TB, porém o ReiserFS não é afetado por este patch.

Na versão 3.6.x, para o Linux 2.4.x, a situação é bem diferente. O Linux 2.4.x suporta arquivos de até 64TB, enquanto o ReiserFS suporta arquivos de 1EB (1ExaByte = 2^60 Bytes, grande pra caramba!).

 

DICAS: ALIASES

Digitar comandos em modo texto tem algumas vantagens, mas também tem suas desvantagens. Uma das principais é a digitação de linhas de comando longas, principalmente se precisarmos usar tal comando repetidas vezes.

Para esses casos podemos usar os aliases. Aliases são equivalências que criamos, normalmente de comandos longos e tediosos de serem digitados. Assim, o comando:

ls -laFd --nocolor

poderia ser substituído através de um alias por

lsn

Para isso, devemos criar o alias da seguinte maneira:

alias lsn="ls -laFd --nocolor"

A partir de agora, basta digitar lsn e o comando completo será executado em seu lugar. Para mostrar na tela todos os aliases disponíveis, basta digitar somente alias. Verifique que o recem criado lsn aparece na lista.

Para apagar um alias, use o comando unalias. Por exemplo,

unalias lsn

irá apagar da lista o alias criado anteriormente.

Os alias podem ainda conter mais de um comando em um único alias. Observe:

alias cds="cd /etc/rc.d/init.d ; ls"

O comando-equivalente cds recém criado, na verdade, é equivalente a dois comandos. Eles aparecem separados por ponto-e-vírgula. Pode-se usar também "&&" como separador.


Mauricio Kaster
Coordenador do GU LinuxPonta

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